Maria, mãe de Deus e nossa
Tradicionalmente, no mês de maio, os cristãos dedicam especial atenção à figura de Maria. É claro: todos os meses são meses de Maria. Mas neste, de modo particular, voltamos nosso olhar àquela que soube dizer um sim de maneira incondicional à vontade de Deus e aprendemos com ela a viver com generosidade e grandeza de espírito nossa própria vocação cristã.
Maria é uma personagem discreta nas páginas dos evangelhos. Pouco fala e pouco se fala dela. Apesar de tal sobriedade, o que temos é suficiente para aprender a ser cristãos segundo o coração de Deus. O evangelho, por exemplo, sempre recorda que “Maria guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”. O que significa “guardar os fatos no coração”? Significa olhar para além das aparências dos acontecimentos, tentando perceber neles a presença e o chamado do próprio Deus. Para a pessoa que tem fé, a vida não é um emaranhado de fatos desconexos e casuais. Por trás de cada fato da vida, bom ou ruim, o cristão é chamado a perceber os apelos do próprio Deus.
O cristão deve aprender a ler o livro da própria vida, enxergando nela a escrita de Deus, reproduzindo esta atitude de Maria, meditando tudo em seu coração. Isso é particularmente necessário em nossos dias, já que vivemos numa sociedade de aparências, onde o importante, muitas vezes, é parecer ao invés de ser. O cristão deve olhar para além das aparências do consumismo, da propaganda, dos discursos ideológicos, dos falsos moralismos, perscrutando em tudo a vontade do Senhor.
Somos chamados, neste mês, a freqüentar de maneira mais assídua a escola de Maria. Não se trata de “mariolatria”. Sabemos que o centro é Cristo. Mas sabemos do lugar todo especial ocupado por esta criatura privilegiada no plano divino da salvação. Se Jesus é Deus, Maria é o Santuário da Divindade. Se Ele é a Sabedoria, Maria é sua Sede. Se Cristo é a aliança, Maria é a Arca da Aliança. Prestemos justa veneração à mãe do Salvador e nossa mãe!
Pe. Elton Cândido Ribeiro